O relacionamento abusivo é tão sutil que nem sempre é notado (Imagem: Odonata Wellness)

Relacionamento abusivo: será que você vive um?

Relacionamento abusivo: será que você vive um? Sim, é possível viver um relação tóxica sem se dar conta. Por isso é importante se atentar aos sinais sutis que elencaremos abaixo, e caso se identifique, procure ajuda. Amigos de confiança, psicólogos, advogados ou até mesmo a polícia pode te auxiliar.

Sabe aquela garota do seu trabalho, inteligente e criativa, mas meio estabanada, que vive chegando com o braço roxo de bater na porta do armário? Ou aquela menina linda da faculdade que gargalhava de qualquer bobagem, mas hoje em dia não ri mais das suas piadas?

Sabe aquela mulher do seu bairro que cresceu com você e hoje só te acena de longe? Ou aquela amiga que te bloqueou nas redes sociais, sumiu do whatsapp e nunca mais postou suas selfies?

Ela, decerto, está vivendo um relacionamento abusivo.

“Ele tem ciúmes porque ama, é zelo, não é desconfiança”, ela pode justificar.
‘Meu namorado me ama tanto que me quer perto o tempo todo”, desculpa-se. Estas são apenas algumas frases bem comuns em relações tóxicas ou de abuso emocional e físico.

Quais são os sinais que estou vivendo um relacionamento abusivo?

 

Importante observar os sinais de um relacionamento abusivo antes que se torne abuso físico (Imagem: Engin-akyurt)

Importante observar os sinais de um relacionamento abusivo antes que se torne abuso físico (Imagem: Engin-akyurt)

Segundo a advogada Liziane Sucena, existe um conjunto de sinais e comportamentos que sucedem a fase da paixão inicial. “O abusador tem um comportamento padrão, independentemente da vítima”.

Elogios demais

O começo do relacionamento será pautado em muitos elogios a aparência, inteligência e comportamento. Ao passo que o namoro tenha se consolidado, a dinâmica começa a mudar: A cada nove elogios, uma crítica. Depois de um tempo, oito elogios e duas críticas. Até que a marca atinge nove críticas para um elogio.

Segundo o psicólogo comportamental Ricardo Ventura, o ápice é quando a vítima passa a depender daquele único elogio para validar sua autoestima.”Como se ela houvesse se tornado uma pessoa desinteressante e sem valor. É nisso que ela acredita, que é culpada”.

Charme para outras mulheres

Um artifício que o abusador usa, em contraste com o perfil romântico do início, é seduzir outras mulheres para que sua vítima se sinta ainda mais desvalorizada.

O abusador é capaz de ignorar sua vítima, mesmo estando dentro da mesma casa, fazendo com que ela se sinta desconfortável. Ele pode ainda excluir ou bloquear em aplicativos, ignorar todo tipo de tentativa de conversa, seja presencial, seja por telefone.

Desta forma, ele consegue desestabilizar sua presa, passando então a tratar outras mulheres como a tratava de início. Ele fará questão que ela veja, deixará rastros para que descubra eventuais traições. “E ele fará com que a mulher ainda acredite que está paranoica”, completa Ventura.

Inversão de papéis

O abusador sempre irá mudar seu discurso, dizendo que a culpa é da vítima ou ainda que ele não quis dizer o que ela entendeu. Uma frase recorrente que uma vítima de relacionamento abusivo ouve é: ” Você está louca”.

Controle e dominação

Aos poucos e sem que a vítima perceba, o parceiro terá a afastado de amigos e familiares.

“Ele terá senhas de redes sociais, e-mail, bem como da conta do banco”, explica o psicólogo. “Poderá ter instalado com ou sem o conhecimento da vítima, programas de GPS no celular, para acompanhar seus passos“.

E será capaz ainda de ligar ou mandar mensagens, perguntando o tempo todo onde a vítima está, quando não estiver com ele.

Humilhações e presentes

O abusador alternará entre o romantismo e a frieza. Em um momento, ele será capaz de humilhar sua “amada” em público e, em seguida, para não perdê-la, irá presenteá-la.

“Quando o relacionamento abusivo chega às vias de fato, ou seja, com agressão física, é bastante comum o recurso da compensação”, explica Liziane.

“Recebo muitas mulheres que desejam se divorciar e elencam as agressões verbais e físicas dos maridos. Mais da metade delas desiste do processo por ter ganho presentes”, conclui.

Relacionamentos abusivos(Imagem: Vera Arsic)

Relacionamentos abusivos podem acabar em agressão física (Imagem: Vera Arsic)

 

 

 

 

 

 

 

 

Agressão física e psicológica

A advogada faz questão de destacar que tanto agressão física quanto psicológica configuram crime, e são passíveis de boletim de ocorrência.

“Quando a vítima se sentir acuada ou seu agressor chegar às vias de fato, é possível ligar para 190 e chamar a Polícia Militar”, orienta.

‘Existe ainda a Lei Maria da Penha, específica para casos de violência doméstica, onde a vítima conta com amparo policial para manter distância do seu agressor”.

Então, enfatiza o delegado Seccional de Polícia do Litoral Norte, Múcio Mattos Monteiro de Alvarenga., “não é apenas denunciar um crime de violência doméstica, mas empoderar a mulher de si mesma, cuidando do seu lado emocional, esclarecendo o quão vítima ela é, para que a mulher não se sinta envergonhada, diminuída ou principalmente culpada por denunciar um homem que a agrida. Através de terapia em grupo, mudar sua mentalidade, devolver sua autoestima e seu valor próprio”.

“É preciso urgentemente de uma mudança cultural, de apoio psicológico. Se a vítima não está preparada em suas emoções, ela volta à delegacia no dia seguinte para retirar a queixa de violência doméstica”, conclui o delegado.

É possível ainda fazer um boletim de ocorrência online através do site (clique aqui).

Jornalista formada na Universidade São Judas, escritora e radialista. Apaixonada pelo mar, pessoas e bichos. E por me comunicar!

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